Ulpiana

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“Ela estava caída de bruços, com o pescoço à mostra no cimento do pátio, ao lado de um canteirinho coberto de flores cor de mostarda. Os cabelos eram como uma medusa encharcada pelo líquido vermelho que brotava da cabeça e se espalhava em torno. Enquanto um vizinho corria pela escada abaixo, outro apertava a campainha. A enfermeira atendia, ainda com uma xícara de café tremendo entre as mãos.”

Brasil

Bernadette Lyra

Nasceu em Conceição da Barra/ES. Escritora com prêmios literários obtidos por todo o país. Tem trabalhos em antologias, revistas e jornais do Brasil e do exterior. Alguns livros de ficção publicados: Memórias das ruínas de Creta (1997, 2ª ed. 2018); Tormentos ocasionais (1998); O parque das felicidades (2009); A capitoa (2014); Água salobra (2017); Ulpiana (2019). Como pesquisadora de cinema publicou O jogo dos filmes (2018) entre outras obras.

Já quero ler!

Maria Salomé - @salomecfaria

Parabéns querida conterrânea da Capitania Perdida, por mais este livro lançado ao mundo. Apesar de não poder estar presente, meu coração é contigo!!!!

Horacio Xavier, um Dizedor - @horacioxavierdizedor

'Sobre escombros de Ulpiana' [RESENHA LITERÁRIA]. Ulpiana é fragmento. Resolvi fragmentar meu texto para facilitar - ou não - aos leitores. 'Um fantasma de rosto cavado, cabelos opacos e olhos ocos se aproximou do espelho... A boca do fantasma se abriu ao mesmo tempo que a dela...' Senti isso, que, apesar de não ser um texto dividido em parte alguma as histórias são todas fragmentadas. '- Não interessa que você queira que as coisas durem. Mais dia, menos dia, tudo morre. Na vida, tudo se arrasta em direção à morte como um cão leproso.' Mais um romance de capítulos curtos. Ah, como me ganham! 'Eu boiava na maré do ódio como um cadáver nas ondas, com os olhos, a boca, os ouvidos entupidos de algas.' A triste história de dona Tude é uma fábula shakespeariana embutida magnificamente neste romance único. Um dos melhores capítulos. O mistério que laça todo misticismo por entre Ulpiana. 'Mas o moço estrangeiro, uma tarde, se foi, jurando que logo voltaria. Dona Tude ficou acenando com um lenço até desaparecer o navio que o levou mar afora.' O romance parecia sobretudo memorial, entre a vida e a morte, trapos de lembranças que enlaçam muito bem a história. Conchas arrastadas à praia por sua própria falta de vontade. Areias lambidas - dunas esvoaçantes - de sonhos mortos. Cada concha uma memória, um quebra-cabeça, sendo ajuntado e fazendo sentido algum. 'Quem é essa que passeia em um jardim, entre rosas vermelhas, com um vestido branco muito largo e engraçados e abelhas zumbindo em torno de sua cabeça? Essa é a namorada da morte...' A fragmentação da prosa poética de Bernadette fica bem claro nas páginas, sobretudo nos 'delicados segredos', que permeiam por entre as linhas de Ulpiana. E um final que te rouba uns eternos minutos (este livro teve esta perfeição e a fala e até os pensamentos.<br> Te aconselho a saborear, mas, com muita cautela ao entrar em Ulpiana. Boa leitura!<br>

@palavrasmargina_es

Descrição

Às vezes, se conta uma história; às vezes, uma história se conta sozinha. A partir de uma inusitada viagem à Ulpiana − uma antiga necrópole em ruínas, situada nos Balcãs, na planície do Kosovo − uma narradora tenta decifrar o enigma que cerca o suicídio de uma tia. Porém ela mesma se vê incluída na história que começa a contar, à medida que a trama central é despedaçada pelos fragmentos de tramas periféricas, todas envolvendo algum tipo de relacionamento com a morte. A presença da morte sustenta o despedaçamento da narrativa, como fazem os sete oitavos submersos de um iceberg para cada parte aparente da crosta. Enquanto isso, a narradora, a cada página, vai acumulando paixões, abandonos, tormentos, crenças, lendas, fantasias, amuletos, solidões, ladainhas, enterros, fotografias. São memórias, indícios, vestígios e tantas coisas mais de que ela faz uso, em busca de evidências que a ajudem a entender “o segredo de uma dor, não uma dor qualquer, uma dor silenciosa, uma dor sem medida”, uma dor que repousa debaixo de um pequeno coração invertido sobre um túmulo sem cruz. Mas não pensem os leitores que vão encontrar uma visão comum sobre o tema da morte, pois em Ulpiana, Bernadette Lyra apresenta uma concepção desprovida de qualquer sentimentalidade corriqueira.Junta-se a isso uma trama que se faz sem dar muita atenção à lógica dos acontecimentos, aliada à técnica de destruição das certezas com que se arma, sobretudo, o pequeno texto
final, derivando para uma aparente ilogicidade e constituindo, talvez, um alerta para que a ilusão da verdade na ficção literária não seja confundida a realidade da vida.

Informação adicional

Peso 200 kg
Dimensões 10 × 14 × 21 cm
Acabamento

Brochura com Orelha

Capa

Mauro Teles

Formato

14×21 cm

Páginas

124 p.

ISBN

978-85-906623-9-6

Selo

a lápis

Editor

Gelson Santana

Projeto gráfico

Mauro Teles

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