Cinema de Bordas III

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Este livro não pergunta nem explica. Apenas se debruça sobre temas e filmes capazes de dar uma amostragem do que consideramos cinema de bordas. Foi com essas palavras que encerramos a Introdução de Cinema de Bordas, publicado em 2006, que reuniu artigos de estudiosos, apaixonados por um tipo específico de cinema periférico, produzido em cidades interioranas ou lugares distantes dos grandes centros produtivos, quase invisível e espalhado por todo o país. Pois hoje, seis anos depois e mais a publicação, em 2008, da coletânea Cinema de Bordas 2, esse pensamento de mobilidade, fluidez e leveza é o mesmo que serve de guia a este outro livro, Cinema de Bordas 3.

Não se pode dizer, no entanto, que as questões aqui tratadas são as mesmas de antes ou que guardam as mesmas características. Até porque, de lá para cá, não foram poucos os debates, as polêmicas, os livros, artigos, conferências, mostras e muitos outros modos de investigação e expansão que se articularam em torno do termo “cinema de bordas”, ampliaram-no, desdobraram-no e o fizeram se clarificar.

Em sua gênese, o termo cinema de bordas foi proposto por Bernadette Lyra, em 2005, na comunicação feita à mesa “Juntando os cacos, reciclando o lixo: nas bordas do cinema brasileiro”, no IX Encontro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine). À época, servia para agrupar um conjunto de filmes deixados às margens pela historiografia cinematográfica brasileira oficializada e tradicional, quase sempre pautada no autoral e no artístico e em boa parte construída em torno das idéias de Alex Viany  e do Cinema Novo, como o fez Glauber Rocha. Naquela ocasião, a autora partia das considerações sobre a existência de uma “cultura das bordas”, ou seja, uma cultura excluída do centro.

O termo cinema de bordas foi desde logo aceito e adotado por um grupo de pesquisadores independentes, sediados nas mais diversas Universidades do país e interessados em examinar, catalogar, e tornar visível essa espécie de produção que opera e transita livremente nas brechas de confluência e interfluência das formas legitimadas e institucionalizadas pela história, teoria e crítica do cinema no Brasil.

Como resultado do trabalho conjunto e participativo desses pesquisadores, o termo cinema de bordas ganhou vida própria e se intensificou, tomando sua atual concepção de alteridade e paralelismo, que vai muito além daquela característica inicial de marginalidade ou exclusão.

Gelson Santana

Gelson Santana é formado em Comunicação Social (Cinema) pela Universidade Federal Fluminense (1987), mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1999) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2003) sob a orientação do Prof. Dr. Marcello G. Tassara. Foi professor titular do PPGCOM em Comunicação Audiovisual da Universidade Anhembi Morumbi (2006-2019). Professor de Análise da Imagem no curso de Extensão em TV para a Televisão Pública de Angola (TPA), em Luanda, Angola (2008). Professor no Centro Universitário São Camilo, ES (2004-2005). Professor Substituto no Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo (1996). Atualmente é editor, na Editora A Lápis, São Paulo. Publicou o livro "O prazer trivial: cultura midiática, gênero e pornochanchada"(2009), já em terceira edição. Autor de artigos científicos, resenhas e capítulos de livros, nas áreas de Comunicação e Artes, com ênfase em Cinema e Audiovisual. Foi membro da comissão editorial da revista eletrônica E-COMPÓS. Editor e organizador de livros de comunicação, cinema e audiovisual, tais como Cinema, comunicação e audiovisual (Ed. Alameda, SP, 2007); Cinema de Bordas 1, 2 e 3 (Ed. A lápis., SP, 2006, 2008, 2014). É membro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE), tendo sido Membro do Conselho Executivo da Associação. Curador das Mostras de Cinema de Bordas do Itaú Cultural ( 2009 a 2015). Tem experiência na área de Comunicação e Artes, atuando principalmente nos seguintes temas: cinema, cinema brasileiro, games, cultura pop, cultura contemporânea, novas tecnologias e literatura massiva. (Fonte: Currículo Lattes)

Descrição

Maturidade é uma boa palavra para definir os artigos que compõem este livro, o terceiro de uma série que junta um grupo de pesquisadores dispostos a contar suas experiências com o cinema de bordas. Em Cinema de Bordas 3, o conceito ganha autonomia e se diversifica, explorado não mais como um território a desvendar, mas sim como um espaço confortável de reconhecimento de objetos, eleitos por cada um dos autores que os examinam com especial atenção e afeto, a par de minuciosos cuidados científicos.

Dessa forma, certos assuntos caros ao campo cinematográfico são retomados, repensados, flexionados e alicerçados sob o ponto de vista de um tipo de produção, realização e exibição bastante específicas. Destacam-se os modos como o imaginário do cinema de bordas oscila entre os interstícios de outros imaginários modulados pelas categorias do popular e do midiático; as mutações, remixagens, fragmentações, hibridismos e múltiplas adaptações com que os filmes de bordas se reorganizam no campo dos gêneros tradicionais; as formas que modelam e dão corpo a cada uma das ideias, histórias, temáticas, narrativas e estratégias sonoras e imagéticas postas em maquinação nesse cinema paralelo e quase invisível.

Enfim, os textos aqui registrados refletem algumas das ramificações, descobertas, insights, variantes, mutações e links que se sedimentaram ao longo dos estudos e do tempo e que, hoje, dão sustentação às investigações de quem quer que queira inserir, de direito e de fato, o cinema de bordas na historiografia cinematográfica de nosso país.

 

Informação adicional

Peso 420 kg
Dimensões 10 × 14 × 21 cm
Acabamento

Brochura com Orelha

Capa

Mauro Teles

Páginas

264 p.

Lançamento

2014

ISBN

978-85-65943-66-6

Selo

a lápis

Editor

Gelson Santana

Projeto gráfico

Mauro Teles

Artigos e Pesquisadores

Alfredo Suppia – “Cinema de bordas”, manual do usuário: Sobre afinidades teóricas e possíveis caminhos para o estudo de um fenômeno audiovisual popular
Bernadette Lyra – A visibilidade bruta nos filmes de Seu Manoelzinho
Carlos Primati – A saga épica da produtora Cristo Filmes: a paixão radiocinéfila de David Rangel
Gelson Santana – Rambú da Amazônia como space-off do Rambo de Hollywood
Laura Cánepa – O cinema de bordas, a estética trash e o paracinema
Lúcio De Franciscis dos Reis Piedade – Horror à mineira: os filmes assombrados de Pedralva
Luiz Vadico – Zumbificando o Réquiem
Maria Ignês Carlos Magno – Um olhar impressionista sobre Afonso Brazza
Rosana de Lima Soares – Para além dos gêneros: humor e amor em filmes de bordas
Zuleika de Paula Bueno – Imagens e Sons da CUICA

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