Cinema de Bordas II

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Nas cercanias da arte

Marcius Freire

Quando os autores me convidaram para fazer a introdução deste segundo volume de “Cinema de Bordas”, certas perguntas a respeito dos filmes aqui tratados agitaram o meu espírito. Antes de tudo porque tenho acompanhado com grande interesse o trabalho do grupo, assistindo aos filmes estudados, lendo os artigos escritos sobre eles e freqüentando os seminários, palestras e mesas redondas em que o tema está em pauta. No entanto, o convite e a tarefa que a sua aceitação me impôs, deixaram-me com um misto de regozijo e apreensão. Regozijo por ter a oportunidade de alinhar-me a pesquisadores a quem respeito na busca por uma melhor compreensão dessas obras mestiças, fruto do cruzamento de tantos gêneros (voltaremos depois sobre isso), tantas motivações e tantas técnicas; e apreensão porque o caráter lábil dessas produções, sua ancoragem hesitante e movediça no interior da arte cinematográfica, desconcertam métodos, confundem teorias e embaraçam aqueles(as) que destes se servem para tentar explicá-los.

Seja como for, passei a buscar respostas para algumas das perguntas acima referidas. O que segue é uma apresentação desse questionamento e um ensaio de explicações que partilho com o leitor antes que este penetre no labirinto em que estão presentes Seu Manoelzinho, Affonso Brazza, Simião Martiniano, Rambú da Amazônia, e outros nomes pouco conhecidos dos estudiosos de cinema e audiovisual.

Que os filmes aqui analisados se inserem à perfeição nessa categoria de que os autores presentes neste volume vêm se tornando referência no Brasil, não há rastro de dúvida. Aliás, eu ousaria mesmo dizer que, talvez, nenhuma outra variável do cinema não-dominante se identifica tão bem com a idéia de um cinema situado nos limites da arte cinematográfica. No entanto, se o cinema de bordas, como definido no primeiro volume, encontra abrigo e se desdobra no interior daquilo que os autores chamam de “regime trivial do lazer”, em contraponto ao que seria um “regime sério do lazer”, nossos filmes reclamam um pouco mais de atenção às suas idiossincrasias antes de serem assimilados a essa categoria. Não que exista qualquer dúvida quanto a essa assimilação, mas, justamente, para que, dentro da perspectiva que é aqui a nossa – e como tentaremos demonstrar – eles se apresentem como o mais legítimo representante deste vasto e diversificado domínio do cinema de bordas.

Gelson Santana

Gelson Santana é formado em Comunicação Social (Cinema) pela Universidade Federal Fluminense (1987), mestrado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1999) e doutorado em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (2003) sob a orientação do Prof. Dr. Marcello G. Tassara. Foi professor titular do PPGCOM em Comunicação Audiovisual da Universidade Anhembi Morumbi (2006-2019). Professor de Análise da Imagem no curso de Extensão em TV para a Televisão Pública de Angola (TPA), em Luanda, Angola (2008). Professor no Centro Universitário São Camilo, ES (2004-2005). Professor Substituto no Centro de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo (1996). Atualmente é editor, na Editora A Lápis, São Paulo. Publicou o livro "O prazer trivial: cultura midiática, gênero e pornochanchada"(2009), já em terceira edição. Autor de artigos científicos, resenhas e capítulos de livros, nas áreas de Comunicação e Artes, com ênfase em Cinema e Audiovisual. Foi membro da comissão editorial da revista eletrônica E-COMPÓS. Editor e organizador de livros de comunicação, cinema e audiovisual, tais como Cinema, comunicação e audiovisual (Ed. Alameda, SP, 2007); Cinema de Bordas 1, 2 e 3 (Ed. A lápis., SP, 2006, 2008, 2014). É membro da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (SOCINE), tendo sido Membro do Conselho Executivo da Associação. Curador das Mostras de Cinema de Bordas do Itaú Cultural ( 2009 a 2015). Tem experiência na área de Comunicação e Artes, atuando principalmente nos seguintes temas: cinema, cinema brasileiro, games, cultura pop, cultura contemporânea, novas tecnologias e literatura massiva. (Fonte: Currículo Lattes)

Descrição

Cinema de bordas 2 dá continuidade aos trabalhos de um grupo de pesquisadores que investiga e aceita como legítimas certas práticas cinematográficas, costumeiramente consideradas periféricas ou marginais, quase sempre postas às bordas pelas entidades institucionais, a partir da valorização de determinados padrões e da cristalização de modelos, tradicionalmente pautados no autoral ou no artístico. Em sua realização, tais práticas costumam adotar um estilo que incorpora o excesso ou a precariedade, estando muito próximas, também, da trivialização e repetição de códigos sonoros e imagéticos. E, não raro, se apropriam elas de formas expressivas que são consideradas artefatos da “baixa” cultura e da cultura de massa, fago citando-as e adaptando as aos contratos da imagem em movimento. No Brasil, o campo desse “outro” cinema não se apresenta de maneira homogênea. Nele, coexistem diferentes tipos de filmes. Filmes francamente comerciais, pautados no binômio emoção + ação, com a única finalidade de atingir o mercado em larga escala. Filmes realizados na explícita intenção de parecerem sub-culturais, com apelos ao trash e a outras categorias desvalorizadas pela crítica cultural e acadêmica. Filmes produzidos por sujeitos autodidatas, moradores de cidades pequenas ou de arredores das grandes capitais, com uma estrutura que foge aos padrões costumeiros de produção e de exibição, articulada sobre modos artesanais e independentes de realização, com parcos investimentos econômicos, recursos técnicos precários e circulação caseira ou em salas quase sempre improvisadas. Mais que em qualquer outra prática, a organização, a visibilidade e a experiência circunscritas a esse cinema tão peculiar estão, indissociavelmente, ligadas à noção de gêneros cinematográficos. Mas, acima de tudo, a voz desse cinema de bordas é aquela do entretenimento, no sentido dado por Niklas Luhmann: “entretenimento significa não procurar nem encontrar nenhum motivo para responder à comunicação com comunicação”. Por fim, a legitimidade dos esforços daqueles que se dedicam a estas pesquisas, já iniciadas com o livro Cinema de bordas 1 (2006), não se deve à busca de status marginal ou à exploração de saberes incomuns, porém tão somente ao gosto particular e ao desejo de contribuir para que coordenadas mais equilibradas sejam introduzidas nos estudos de cinema e audiovisual do país.

 

Informação adicional

Peso 420 kg
Dimensões 10 × 14 × 21 cm
Acabamento

Brochura com Orelha

Capa

Mauro Teles

Páginas

264 p.

Lançamento

2008

ISBN

978-85-906623-1-0

Selo

a lápis

Editor

Gelson Santana

Projeto gráfico

Mauro Teles

Artigos e Pesquisadores

Marcius Freire – INTRODUÇÃO
Alfredo Suppia – VENCEU A CONTA DE AR: A DISTOPIA ECOLÓGICA NO CINEMA BRASILEIRO DE
FICÇÃO CIENTÍFICA
Bernadette Lyra – UM CINEMA SEM LEI: OS FILMES DE BORDAS DE SEU MANOELZINHO
Gelson Santana (org.) – O JOGO DE ENCAIXE ENTRE RAMBÚ E RAMBO
Laura Cánepa – NECROFILIA CINEMATOGRÁFICA NO RIO GRANDE DO SUL
Lúcio Piedade – ELES COMEM SUA CARNE: O FILME ESCATOLÓGICO-CANIBAL DE PETTER BAIESTORF
Luiz Vadico – O SUICÍDIO, O MELODRAMA DO MELODRAMA OU MEFISTÓFELES EM MACEIÓ
Maria Ignês Carlos Magno – SE NÃO MATA, ENGORDA: OS SPAGHETTIS DE AFONSO BRAZZA
Rogério Ferraraz – MINHA ESPOSA É UM ZUMBI E A MISTURA DE GÊNEROS NO CINEMA DE JOEL CAETANO
Rosana Soares – NA PERIFERIA DAS BORDAS: AÇÃO E ROMANCE NOS FILMES DE SIMIÃO MARTINIANO
Zuleika Bueno – O CASO DAS CRIATURAS QUE ASSOMBRAM O PARANÁ: INVESTIGAÇÕES SOBRE
FORMAS E PRÁTICAS CINEMATOGRÁFICAS DO INTERIOR DO PAÍS

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